Programa para usuários de Crack de São Paulo entrega carteira de trabalho.

CARTEIRA ASSINADA

Participantes do programa De Braços Abertos são contratados por empresa de limpeza

Dezesseis conseguem ocupação com carteira assinada e outros 316 seguem no programa da prefeitura de São Paulo voltado a usuários de crack. Para secretária, programa tem ‘sucesso inacreditável’
por Gisele Brito, da RBA publicado 05/08/2014 19:06, última modificação 05/08/2014 19:58
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Programa atende 326 pessoas. Contratados receberão R$ 820 por mês, vales refeição e transporte e cesta básica

São Paulo – Dezesseis participantes do programa De Braços Abertos, da prefeitura de São Paulo, assinaram hoje (5) contrato de trabalho com a empresa de limpeza Guima. O programa atende dependentes químicos, especialmente viciados em crack que vivem na região da Luz, no centro de São Paulo, conhecida como “cracolândia”.

Desde janeiro, cerca de 400 pessoas participam do programa, que oferece abrigo em hotéis da região, alimentação, assistência de saúde e psicológica, além de R$ 15 por dia de trabalho comunitário. Atualmente, 259 pessoas fazem varrição de ruas, 21 de jardinagem, 21 prestam serviços em secretarias municipais ou na própria prefeitura e outras 23 têm trabalhos informais, como em cooperativas de reciclagem. No entanto, elas não têm carteira assinada, o que garante direitos trabalhistas e proteção previdenciária.

“Estou sorrindo à toa”, afirmou Francisco de Oliveira, de 57 anos. Usuário de crack há 20 anos, ele diz acreditar que o programa salvou sua vida. “Se eu não fosse isso, eu não aguentava mais morando na rua do jeito que eu estava. Quando a gente é novo, não pensa. Mas na idade que eu estou, tudo pesa mais.”

Adnan Silva Rodrigues, de 44 anos, usuário de drogas desde os 8 e de crack desde 1989 considera a iniciativa um voto de confiança. “Eles confiaram, a gente confiou neles. Agora depende de nós”, afirmou.

As 16 pessoas que tiveram a carteira de trabalho assinada farão serviços de limpeza em Centros de Referência de Assistência Social, com jornada diária das 7h às 16h45, de segunda a sexta-feira. Terão salário de R$ 820 por mês, vale-refeição de R$ 9 por dia, cesta básica no valor de R$ 78 e vale-transporte.

Os recém-contratados continuarão sob acompanhamento de equipes de saúde da prefeitura, mas nos próximos 45 dias devem deixar os hotéis nas proximidades da Rua Helvétia, na Luz. A expectativa é que sejam encaminhados para outras estruturas de assistência social, na Liberdade e no Pari, também em hotéis, onde são atendidas pessoas, no programa Autonomia em Foco, que compreende uma etapa adiante do De Braços Abertos.

Segundo a secretária municipal de Assistência Social, Luciana Temer, os contratados foram escolhidos entre 40 pessoas indicadas pelas equipes de acompanhamento. “No pente fino, na conversa, selecionamos 18, mas acabaram ficando 16, porque dois deles, e isso eu acho muito rico, disseram ‘olha, eu estou com medo, não sei se aguento a pressão'”, disse Luciana.

Apesar de ser um número aparentemente pequeno, o programa é considerado um “sucesso inacreditável”, segundo a secretária, dada a complexidade do problema. Prefeitura e governo do estado tentam há anos solucionar o problema na região. Usuários de crack e traficantes consumiam e vendiam livremente a droga no chamado fluxo, que reunia no auge da crise mais de mil pessoas, chegando a interditar ruas do bairro.

A mais desastrada dessas tentativas ocorreu em janeiro de 2012, quando a administração do governador Geraldo Alckmin (PSDB) deu início à Operação Sufoco, que ficou conhecida como Dor e Sofrimento. A ação consistia na intimidação dos usuários com a utilização de forças policiais e bombas de gás.

A prefeitura resolveu investir na oferta de moradia, atenção a saúde e trabalho, itens considerados pelo prefeito Haddad como diferenciais do programa. “Começamos a entender que era um programa muito setorial. Que as demandas exigiam um olhar diferenciado, incluindo de forma inédita a dimensão do trabalho. Mesmo com as peculiaridades do início do programa, quando eles não tinham sequer força física para exercer um ofício”, afirmou. “Nós começamos gradualmente a recuperar a capacidade dessas pessoas, a capacidade física, a capacidade espiritual, a capacidade emocional e elas foram se adaptando às regras do programa até este momento.”

“Nós queríamos aprender com aquela experiência. Porque acreditamos que a solução não poderia vir de cima para baixo. De cima para baixo veio bomba, bala de borracha, veio tudo, mas não veio a solução”, disse o prefeito. Menos de um mês depois do início do programa, a Polícia Civil fez uma ação na região sem comunicar a prefeitura, com bombas de gás lacrimogêneo e violência física. Na época, Haddad classificou a operação como lamentável.

Os participantes do programa não precisam deixar de usar drogas, mas a maioria afirma ter diminuído ou mesmo deixado de consumir. Por isso, na prática, se trata de uma política de redução de danos, cuja intenção não é eliminar o uso de entorpecentes, mas as consequências sociais dele, como o fim do vínculo com a família, a perda do do emprego e moradia, que leva os dependentes para a rua.

“Foi difícil, foi duro, foi trabalhado, é com muita força e determinação que aqui nós estamos. Porque na situação que nós estávamos a gente não tinha força para nada”, afirmou Elenildo Cavalcante, outro participante do programa.

Dezesseis conseguem ocupação com carteira assinada e outros 316 seguem no programa da prefeitura de São Paulo voltado a usuários de crack. Para secretária, programa tem ‘sucesso inacreditável’
por Gisele Brito, da RBA publicado 05/08/2014 19:06, última modificação 05/08/2014 19:58

Programa atende 326 pessoas. Contratados receberão R$ 820 por mês, vales refeição e transporte e cesta básica

São Paulo – Dezesseis participantes do programa De Braços Abertos, da prefeitura de São Paulo, assinaram hoje (5) contrato de trabalho com a empresa de limpeza Guima. O programa atende dependentes químicos, especialmente viciados em crack que vivem na região da Luz, no centro de São Paulo, conhecida como “cracolândia”.

Desde janeiro, cerca de 400 pessoas participam do programa, que oferece abrigo em hotéis da região, alimentação, assistência de saúde e psicológica, além de R$ 15 por dia de trabalho comunitário. Atualmente, 259 pessoas fazem varrição de ruas, 21 de jardinagem, 21 prestam serviços em secretarias municipais ou na própria prefeitura e outras 23 têm trabalhos informais, como em cooperativas de reciclagem. No entanto, elas não têm carteira assinada, o que garante direitos trabalhistas e proteção previdenciária.

“Estou sorrindo à toa”, afirmou Francisco de Oliveira, de 57 anos. Usuário de crack há 20 anos, ele diz acreditar que o programa salvou sua vida. “Se eu não fosse isso, eu não aguentava mais morando na rua do jeito que eu estava. Quando a gente é novo, não pensa. Mas na idade que eu estou, tudo pesa mais.”

Adnan Silva Rodrigues, de 44 anos, usuário de drogas desde os 8 e de crack desde 1989 considera a iniciativa um voto de confiança. “Eles confiaram, a gente confiou neles. Agora depende de nós”, afirmou.

As 16 pessoas que tiveram a carteira de trabalho assinada farão serviços de limpeza em Centros de Referência de Assistência Social, com jornada diária das 7h às 16h45, de segunda a sexta-feira. Terão salário de R$ 820 por mês, vale-refeição de R$ 9 por dia, cesta básica no valor de R$ 78 e vale-transporte.

Os recém-contratados continuarão sob acompanhamento de equipes de saúde da prefeitura, mas nos próximos 45 dias devem deixar os hotéis nas proximidades da Rua Helvétia, na Luz. A expectativa é que sejam encaminhados para outras estruturas de assistência social, na Liberdade e no Pari, também em hotéis, onde são atendidas pessoas, no programa Autonomia em Foco, que compreende uma etapa adiante do De Braços Abertos.

Segundo a secretária municipal de Assistência Social, Luciana Temer, os contratados foram escolhidos entre 40 pessoas indicadas pelas equipes de acompanhamento. “No pente fino, na conversa, selecionamos 18, mas acabaram ficando 16, porque dois deles, e isso eu acho muito rico, disseram ‘olha, eu estou com medo, não sei se aguento a pressão'”, disse Luciana.

Apesar de ser um número aparentemente pequeno, o programa é considerado um “sucesso inacreditável”, segundo a secretária, dada a complexidade do problema. Prefeitura e governo do estado tentam há anos solucionar o problema na região. Usuários de crack e traficantes consumiam e vendiam livremente a droga no chamado fluxo, que reunia no auge da crise mais de mil pessoas, chegando a interditar ruas do bairro.

A mais desastrada dessas tentativas ocorreu em janeiro de 2012, quando a administração do governador Geraldo Alckmin (PSDB) deu início à Operação Sufoco, que ficou conhecida como Dor e Sofrimento. A ação consistia na intimidação dos usuários com a utilização de forças policiais e bombas de gás.

A prefeitura resolveu investir na oferta de moradia, atenção a saúde e trabalho, itens considerados pelo prefeito Haddad como diferenciais do programa. “Começamos a entender que era um programa muito setorial. Que as demandas exigiam um olhar diferenciado, incluindo de forma inédita a dimensão do trabalho. Mesmo com as peculiaridades do início do programa, quando eles não tinham sequer força física para exercer um ofício”, afirmou. “Nós começamos gradualmente a recuperar a capacidade dessas pessoas, a capacidade física, a capacidade espiritual, a capacidade emocional e elas foram se adaptando às regras do programa até este momento.”

“Nós queríamos aprender com aquela experiência. Porque acreditamos que a solução não poderia vir de cima para baixo. De cima para baixo veio bomba, bala de borracha, veio tudo, mas não veio a solução”, disse o prefeito. Menos de um mês depois do início do programa, a Polícia Civil fez uma ação na região sem comunicar a prefeitura, com bombas de gás lacrimogêneo e violência física. Na época, Haddad classificou a operação como lamentável.

Os participantes do programa não precisam deixar de usar drogas, mas a maioria afirma ter diminuído ou mesmo deixado de consumir. Por isso, na prática, se trata de uma política de redução de danos, cuja intenção não é eliminar o uso de entorpecentes, mas as consequências sociais dele, como o fim do vínculo com a família, a perda do do emprego e moradia, que leva os dependentes para a rua.

“Foi difícil, foi duro, foi trabalhado, é com muita força e determinação que aqui nós estamos. Porque na situação que nós estávamos a gente não tinha força para nada”, afirmou Elenildo Cavalcante, outro participante do programa.

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