Psiquiatras defendem uso de alucinógenos por pacientes terminais


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LSD foi criminalizado nos anos 1960 por sua ligação com movimentos da contracultura. Foto: Divulgação/Icarus Films

X., de 67 anos, é um paciente terminal de câncer. Como muitas pessoas nesta situação, ele enfrentava uma melancolia existencial, a terapia convencional não era suficiente. Então, um outro elemento foi introduzido e, por dois meses, um psiquiatra lhe forneceu doses de LSD. Depois de receber a droga, X. suava e sentia calafrios. Lembrava de momentos de que já havia se arrependido, mas também viu o pai já morto, que, no cosmos, mandava gestos de aprovação. Apesar da angústia, o paciente ficou satisfeito com o tratamento e está menos ansioso. Sua experiência, para pesquisadores, é uma demonstração de como o LSD pode ser uma opção viável para o alívio de pessoas em grave condição de saúde.

Além de X., outros 11 pacientes participaram da primeira experiência realizada com LSD em mais de 40 anos. Segundo pesquisadores do Hospital Universitário de Zurique e da Universidade de Berna, na Suíça, o uso do alucinógeno pode amenizar a dor e o sofrimento mental sentido pelos pacientes terminais.

“Os voluntários viram o nível de ansiedade baixar com o LSD. Para eles, não foi cruel administrar a droga, mesmo sofrendo temporariamente angústia e sentimentos dolorosos. É como uma cirurgia. Alguns grandes ferimentos podem ser contidos e o processo de cura será longo, mas feito com as melhores intenções”,  pondera Rick Doblin, diretor-executivo da Associação Multidisciplinar para Estudos Psicodélicos (Maps), que financiou o estudo.

Publicada ontem na The Journal of Nervous and Mental Disease, o estudo é uma etapa na reivindicação de diversos psiquiatras para a aplicação de alucinógenos em terapias. Segundo os pesquisadores, os efeitos do LSD duravam cerca de dez horas. Neste período, deitados, eles sentiam-se angustiados e passavam, como definiu um dos pacientes, por uma “experiência mística”. Nela, sofriam ao contar suas emoções e arrependimentos. Os autores do artigo descreveram ação como “centrada no paciente, aberta e integradora”. Mas ainda existe uma forte resistência a estes tratamentos, as pesquisas com LSD estão banidas nos EUA desde 1966.

“Os alucinógenos foram criminalizados devido à sua associação com a contracultura. Por isso agora o movimento para legalizá-lo é, ao mesmo tempo, político e científico. Ainda precisamos legitimar o campo da psicoterapia psicodélica, e no futuro poderemos testar uma droga de cada vez”, conta Doblin.

Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Bioética da UnB e do Comitê Internacional de Bioética da Unesco, Volnei Garrafa acredita que o experimento suíço pode ser reproduzido, desde que os benefícios sejam maiores do que os danos: “Trata-se de um progresso moral, um avanço com responsabilidade. O alucinógeno pode deixar o fim da vida mais agradável. Em vez de esperar a morte, o paciente passa por experimentos melhores, aproveita a família. O Brasil ainda é muito conservador nesta área, precisa quebrar uma série de tabus”.

Fonte: O Globo

O Estudo completo está disponível atualmente apenas em Inglês Aqui

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