Maria Antônia Goulard fala de Maconha Medicinal.

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via:       http://www.semsemente.com/

 

“Minhas dores são maiores que a Lei”. Esse é o trecho final do depoimento de Maria Antônia Goulart, uma das principais vozes na luta pela legalização da maconha medicinal no Brasil. Aos 65 anos, a artista plástica paulistana – que venceu o câncer com o auxílio da erva, como conta na semSemente #2 – amplificou o debate sobre os benefícios terapêuticos da canábis com a criação da página “Eu uso Maconha Medicinal”.

O espaço reúne no Facebook relatos de usuários de diferentes idades e patologias que contam suas experiências com a planta, mostram seus rostos e pedem urgência na mudança da atual política de drogas brasileira. Criada há 12 dias, a página possui 17 depoimentos, mais de 2.600 curtidas e milhares de compartilhamentos e mensagens de apoio. “A necessidade de falar das nossas dores e das nossas curas foi tão grande que estamos mostrando a cara. Pais mostrando a cara de seus filhos, que sofrem com a proibição. Temos ainda muitos depoimentos anônimos, de pessoas que gostariam de se mostrar, mas não podem, pois a família e o trabalho as impedem. Mas também são grandes apoios que nos ajudam a lutar”, conta Maria Antônia.

Até o momento, os relatos voluntários dão conta de episódios em que a erva foi essencial para o tratamento das seguintes enfermidades: câncer, esclerose múltipla, fibromialgia, dores crônicas, hérnia de disco, epilepsia, pedra nos rins, HIV, Doença de Chron, Síndrome de Dravet, Síndrome do Pensamento Acelerado e dependências químicas de crack e cocaína. As últimas duas são uma verdadeira paulada nos proibicionistas que ainda insistem no argumento falacioso de que a maconha leva o usuário a outras drogas. “Hoje estou liberto de todas as drogas pesadas. Um ano e meio sem crack e cocaína, oito meses sem tabaco e álcool e sem café e aspirina, que não deixam de ser drogas. Mostrei que a maconha é a porta de saída das drogas, não de entrada”, conta José Marcelo Rodrigues, de Itararé (SP).

Outro depoimento marcante é o de Gilberto Castro, que sofre de esclerose múltipla. Entrevistado na semSemente #3, o designer, de 40 anos, conta que “a canábis faz parar completamente os espasmos e os choques.  Estes dois sintomas, que considero os piores da doença, somem como mágica, parece que nunca existiram. Só assim eu posso dormir como um bebê”.

Medo e Delírio no Superpop

Temendo o progresso do debate sobre a legalização, alguns veículos da mídia corporativa já articulam uma cruzada moralista contra o uso da erva – mesmo por aqueles que precisam dela para viver. Na última semana, Maria Antônia, Soninha Francine e o professor da USP Henrique Carneiro foram convidados para participar do talkshow Superpop, apresentado por Luciana Gimenez. No programa, foram confrontados por um delegado, um coronel da Polícia Militar e a psicóloga proibicionista e fundamentalista religiosa Marisa Lobo, conhecida de longa data do Conselho Federal de Psicologia por suas posições tresloucadas acerca dos usuários de drogas e homossexuais.

Como era de se esperar, o debate foi tendencioso, recheado de pérolas proibicionistas e intencionalmente desigual. “A RedeTV! me proibiu de entrar com uma camiseta com os dizeres ‘Maconha Medicinal’, já a Marisa Lobo entrou com uma que dizia ‘Maconha Não’. Reclamei, mas não adiantou nada. A Luciana só dava voz aos proibicionistas, que apelavam com gritos e falta de educação. Foi super estúpida com o Henrique, uma ignorância total. Claro, dá mais audiência, né? Mas pelo menos demos o nosso recado com paz e sabedoria”, conta Maria Antônia.

Para quem tiver estômago, o programa vai ao ar nesta segunda-feira, às 23h.

Maioria dos brasileiros apoia a causa, diz pesquisa

Enquanto o Superpop dá espaço a proibicionistas mal intencionados, uma recente pesquisa mostrou que a maioria dos brasileiros não padece da ignorância propagandeada por veículos como a RedeTV!. Publicada pela Expertise, empresa de inteligência de mercado sediada em Belo Horizonte, a pesquisa online concluiu que grande parte dos brasileiros compactua com o uso medicinal da erva.

Usando a plataforma Head Up, a pesquisa ouviu 1.259 pessoas. O resultado positivo é que 57% apoiam a legalização para fins terapêuticos, enquanto 37% são contrárias à proposta. Os dados apontam, ainda, que 26% da população já experimentou a maconha e que 4% afirmam fazer o uso diário da planta.

Infelizmente, a pesquisa também mostrou como a falta de informação ainda influencia a opinião popular, já que 78% dos entrevistados consideram a maconha tão ou mais prejudicial que o álcool e 74% disseram que ela é tão ou mais nociva que o tabaco. “Fica claro que as opiniões são muito divergentes e que o assunto ainda é polêmico. Não há um consenso entre a população, o que só comprova que está mais do que na hora de se iniciar um amplo debate sobre o tema”, afirma Christian Reed, CEO da Expertise.

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