Movimento Negro e Marcha da Maconha- A importância dessa Relação

Por Anderson Rodrigo*.

Mais de um século após a abolição, o povo negro continua sendo perseguido pela polícia tal qual era pelos capitães do mato. A população negra continua recebendo os menores salários, tendo acesso precário à educação, saúde e outras políticas públicas.

Este conjunto de desigualdades entre negros e brancos o movimento negro brasileiro denuncia como o genocídio da população negra que atinge principalmente nossa juventude e que tem na sua face mais cruel o extermínio direto da juventude negra seja pelas forças de repressão do Estado, seja pelo crime organizado.

Dentro deste quadro de genocídio a criminalização do uso de drogas, com seu produto direto que é o comércio ilegal das drogas representa uma arma fundamental para manutenção da hegemonia das elites escravocratas em nossa sociedade.

A criminalização das drogas é usada como forma de criminalização da pobreza e de negras e negros. São pobres e negros as principais vítimas desta “guerra às drogas”.

As crianças negras que são recrutadas para o tráfico e executadas pela polícia são exemplos reveladores do caráter racista desta política de combate às drogas. São jovens negras e negros a maioria dos presos por tráfico. Pertencem a negras e negros a maioria das casas invadidas ilegalmente pela polícia todos os dias. Sob o pretexto de combater as drogas e o crime organizado, nossas comunidades são invadidas diariamente pelas forças de repressão do Estado que aterroriza nosso povo e o mantém num estado constante de terror e medo.

O racismo permanece em nossa sociedade, porque há uma elite que domina a sociedade e se beneficia diretamente dele. Da mesma forma, estas elites não querem a legalização das drogas, pois além de boa parte dela manter relações estreitas com o tráfico, a “guerra às drogas” as beneficia diretamente, pois é este um dos meios mais eficazes que estas elites possuem de controlar militarmente negros e pobres, em geral.

A proibição vitima nossa juventude não só pela violência que está associada a ela, mas também porque a criminalização dos usuários dificulta ou até mesmo impede a busca por tratamento adequado dos dependentes químicos. Os males causados pela proibição são muito maiores que aqueles que qualquer droga pode causar a um indivíduo. A criminalização das drogas mata muito mais que qualquer droga. Esta guerra só faz sentido para as elites, estas sim, livres para usar qualquer droga dentro de seus condomínios luxuosos, enquanto nosso povo é constantemente atacado em seus direitos mais básicos, sofrendo humilhações e agressões muitas vezes pelo simples motivo de levantar “suspeitas”, ou seja, por ser negro.

O comércio ilegal de drogas é uma atividade que gera bilhões de dólares em todo o mundo. É óbvio que por trás de toda esta cadeia de crime organizado, estão bancos, grandes indústrias, políticos, juízes etc. No entanto, os presos por tráfico são quase sempre, negros e pobres, apontados como grandes chefes do crime.

No passado, as proibições da capoeira, do maracatu e de nossas religiões eram usadas como forma de controlar e criminalizar nosso povo. Hoje, a proibição das drogas cumpre este mesmo papel.

Por isso que no próximo dia 20 de maio a juventude negra pernambucana deve participar da Marcha da Maconha em Recife. Por entendermos que a constituição de uma nova política sobre drogas que leve ao fim do tráfico é parte do combate permanente que temos que travar contra o genocídio da juventude negra.

*Anderson Rodrigo é Militante do Movimento Negro Unificado e do Fórum de Juventude Negra de Pernambuco

Advertisements

Maria Antônia Goulard fala de Maconha Medicinal.

unnamed1-630x300

 

via:       http://www.semsemente.com/

 

“Minhas dores são maiores que a Lei”. Esse é o trecho final do depoimento de Maria Antônia Goulart, uma das principais vozes na luta pela legalização da maconha medicinal no Brasil. Aos 65 anos, a artista plástica paulistana – que venceu o câncer com o auxílio da erva, como conta na semSemente #2 – amplificou o debate sobre os benefícios terapêuticos da canábis com a criação da página “Eu uso Maconha Medicinal”.

O espaço reúne no Facebook relatos de usuários de diferentes idades e patologias que contam suas experiências com a planta, mostram seus rostos e pedem urgência na mudança da atual política de drogas brasileira. Criada há 12 dias, a página possui 17 depoimentos, mais de 2.600 curtidas e milhares de compartilhamentos e mensagens de apoio. “A necessidade de falar das nossas dores e das nossas curas foi tão grande que estamos mostrando a cara. Pais mostrando a cara de seus filhos, que sofrem com a proibição. Temos ainda muitos depoimentos anônimos, de pessoas que gostariam de se mostrar, mas não podem, pois a família e o trabalho as impedem. Mas também são grandes apoios que nos ajudam a lutar”, conta Maria Antônia.

Até o momento, os relatos voluntários dão conta de episódios em que a erva foi essencial para o tratamento das seguintes enfermidades: câncer, esclerose múltipla, fibromialgia, dores crônicas, hérnia de disco, epilepsia, pedra nos rins, HIV, Doença de Chron, Síndrome de Dravet, Síndrome do Pensamento Acelerado e dependências químicas de crack e cocaína. As últimas duas são uma verdadeira paulada nos proibicionistas que ainda insistem no argumento falacioso de que a maconha leva o usuário a outras drogas. “Hoje estou liberto de todas as drogas pesadas. Um ano e meio sem crack e cocaína, oito meses sem tabaco e álcool e sem café e aspirina, que não deixam de ser drogas. Mostrei que a maconha é a porta de saída das drogas, não de entrada”, conta José Marcelo Rodrigues, de Itararé (SP).

Outro depoimento marcante é o de Gilberto Castro, que sofre de esclerose múltipla. Entrevistado na semSemente #3, o designer, de 40 anos, conta que “a canábis faz parar completamente os espasmos e os choques.  Estes dois sintomas, que considero os piores da doença, somem como mágica, parece que nunca existiram. Só assim eu posso dormir como um bebê”.

Medo e Delírio no Superpop

Temendo o progresso do debate sobre a legalização, alguns veículos da mídia corporativa já articulam uma cruzada moralista contra o uso da erva – mesmo por aqueles que precisam dela para viver. Na última semana, Maria Antônia, Soninha Francine e o professor da USP Henrique Carneiro foram convidados para participar do talkshow Superpop, apresentado por Luciana Gimenez. No programa, foram confrontados por um delegado, um coronel da Polícia Militar e a psicóloga proibicionista e fundamentalista religiosa Marisa Lobo, conhecida de longa data do Conselho Federal de Psicologia por suas posições tresloucadas acerca dos usuários de drogas e homossexuais.

Como era de se esperar, o debate foi tendencioso, recheado de pérolas proibicionistas e intencionalmente desigual. “A RedeTV! me proibiu de entrar com uma camiseta com os dizeres ‘Maconha Medicinal’, já a Marisa Lobo entrou com uma que dizia ‘Maconha Não’. Reclamei, mas não adiantou nada. A Luciana só dava voz aos proibicionistas, que apelavam com gritos e falta de educação. Foi super estúpida com o Henrique, uma ignorância total. Claro, dá mais audiência, né? Mas pelo menos demos o nosso recado com paz e sabedoria”, conta Maria Antônia.

Para quem tiver estômago, o programa vai ao ar nesta segunda-feira, às 23h.

Maioria dos brasileiros apoia a causa, diz pesquisa

Enquanto o Superpop dá espaço a proibicionistas mal intencionados, uma recente pesquisa mostrou que a maioria dos brasileiros não padece da ignorância propagandeada por veículos como a RedeTV!. Publicada pela Expertise, empresa de inteligência de mercado sediada em Belo Horizonte, a pesquisa online concluiu que grande parte dos brasileiros compactua com o uso medicinal da erva.

Usando a plataforma Head Up, a pesquisa ouviu 1.259 pessoas. O resultado positivo é que 57% apoiam a legalização para fins terapêuticos, enquanto 37% são contrárias à proposta. Os dados apontam, ainda, que 26% da população já experimentou a maconha e que 4% afirmam fazer o uso diário da planta.

Infelizmente, a pesquisa também mostrou como a falta de informação ainda influencia a opinião popular, já que 78% dos entrevistados consideram a maconha tão ou mais prejudicial que o álcool e 74% disseram que ela é tão ou mais nociva que o tabaco. “Fica claro que as opiniões são muito divergentes e que o assunto ainda é polêmico. Não há um consenso entre a população, o que só comprova que está mais do que na hora de se iniciar um amplo debate sobre o tema”, afirma Christian Reed, CEO da Expertise.

Jamaica quer descriminalizar consumo de maconha em 2014

TN500_Bandeira jamaica

A descriminalização ajudaria a reduzir custos policiais, judiciais e de prisões, e a regulação da venda poderia aumentar a receita por impostos

Desiree Martin/AFP

Maconha: Paulwell reiterou que a regulação do consumo significará benefício econômico, social e cultural para todo o país

Kingston – A Jamaica, um dos lugares do planeta mais identificados com a maconha, planeja descriminalizar o consumo privado da erva ainda este ano, enquanto avança na legalização com fins medicinais

O anúncio foi feito pelo ministro de Ciência, Tecnologia, Energia e Mineração e representante do governo na Câmara dos Representantes da Jamaica, Phillip Paulwell.

Ele detalhou que a descriminalização “acontecerá este ano”, porque a ilha “não pode se permitir ficar para trás de outros países” na matéria.

Paulwell reiterou que a regulação do consumo, apoiada pelo Grupo de Trabalho para a Pesquisa do Cannabis Comercial e Medicinal, significará benefício econômico, social e cultural para todo o país.

E esclareceu que a descriminalização não significa a legalização da maconha, só estabelece que o consumo em pequenas quantidades deixará de ser considerado um delito e não será punido com penas, embora possa haver alguma multa administrativa.

Da mesma forma que acontece em outros lugares do mundo, são varias as ilhas do Caribe, como Porto Rico, Santa Lúcia e São Vicente e Granadinas, que começaram a legislar a favor da descriminalização da maconha.

Para estes governos, a descriminalização ajudaria a reduzir custos policiais, judiciais e de prisões, e a regulação da venda poderia aumentar a receita por impostos.

Porto Rico está cada vez mais perto de descriminalizar a posse de maconha em pequenas quantidades e a legalização de seu consumo para fins medicinais.

O promotor do projeto de lei para descriminalizar o consumo pessoal de maconha em Porto Rico, Miguel Pereira, espera que a Câmara dos Representantes referende mês que vem um texto que estabelece que a posse de até 14 gramas da substância não tenha caráter delitivo.

O primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves, propôs ao colega de Trinidad e Tobago, Kamla Persad-Bissessar, que, como presidente da Comunidade do Caribe (Caricom), impulsione um debate sobre a descriminalização e legalização da venda e do consumo de maconha, tanto para fins medicinais como para recreativos.

Caricom é integrada por Antígua e Barbuda, Bahamas, Barbados, Belize, Dominica, Granada, Guiana, Haiti, Jamaica, Montserrat, São Cristóvão e Névis, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, Suriname e Trinidad e Tobago.

Nos Estados Unidos os estados de Washington e Colorado legalizaram recentemente o consumo recreativo de cânhamo, enquanto outros 18, assim como o Distrito de Columbia, permitem a venda por razões medicinais ou já descriminalizaram a posse em pequenas quantidades.

Argentina, Austrália, Bélgica, Canadá, Chile, Egito, Holanda, México, Portugal e Uruguai também tem legislações semelhantes.

 

Entrevista com André Kiepper propositor da proposta de regulamentação da maconha que está no Senado.

 

euamaconhanovasleis1ap

 

Via portal Terra.

O verdadeiro perigo é o mercado ilegal, diz autor de projeto da maconha

Projeto popular de regularização da produção e do consumo de maconha ganhou rápido apoio através do portal e-Cidadania e segue agora para o Senado
Foto: AP
  • Felipe Schroeder Franke
    Felipe Schroeder Franke 

Os recentes casos de legalização da maconha no Uruguai e nos Estados Unidos reacenderam o debate global sobre o tema. Os governos de José Mujica e dos Estados norte-americanos de Colorado e Washington adotaram propostas diferentes, mas que partem de princípios similares. Entre eles estão está a convicção de que a proibição da droga não impede seu consumo e o entendimento de que não há fundamento para que ela seja distinguida das drogas lícitas como o cigarro e o álcool.

 

É nesta direção que André Kiepper, analista de Gestão de Saúde da Fundação Oswaldo Cruz,propôs, através do portal e-Cidadania,  a regulamentação da maconha. Em quatro dias, a ideia ultrapassou a barreira dos 20 mil apoios e, com isso, entrará em discussão do Senado,conforme anunciado essa semana por    Cristovam Buarque. É esse debate que poderáfazer com que a proposta tramite como projeto de lei.

 

Sua proposta é um misto dos casos uruguaio e americanos. “A proposta apresentada ao Senado é a de um modelo híbrido, baseado nas leis do Uruguai, Colorado e Washington, que preveem o cultivo caseiro, a criação de clubes de auto cultivadores e o licenciamento de estabelecimentos, registrados e fiscalizados pelo Estado, de cultivo, manufatura e venda, no atacado e no varejo”, explica.

 

André acredita que o principal impedimento à legalização na maconha é o desconhecimento da droga. “Percebo que a oposição está, naverdade, entre aqueles que já estão bem esclarecidos sobre o tema, e os que ainda não aprenderam quase nada sobre ele”, afirma. Para ele, o mesmo ocorre com a crença muito difundida de que a maconha é porta de entradas para outras drogas. “A verdadeira porta de entrada é o mercado ilegal, não regulado”, resume.

 

Leia abaixo a íntegra da entrevista concedida ao Terra.

 

Terra – Fale um pouco sobre sua trajetória profissional e o que o levou ao projeto.

 

André Kiepper – Sou servidor da Fundação Oswaldo Cruz e faço mestrado em Saúde Públicana Escola Nacional de Saúde Pública, onde pesquiso os modelos de regulação do uso medicinal da maconha nos EUA. Já são 21 estados, de 50, que autorizam o uso medicinal. Colorado e Washington, este ano, tornaram-se os primeiros estados a regular, também, o uso recreativo. No final de 2013, comecei a acessar o site do Senado do Uruguai para acompanhar a tramitação do Projeto de Lei de regulação da maconha desse país e, ao mesmo tempo, acessar o site do Senado brasileiro, para acompanhar a tramitação do PLC 37/2013, que é o Projeto de Lei da Câmara com tendência totalmente oposta ao que o resto do mundo está legislando sobre drogas. Então, nestas buscas pelo site do Senado brasileiro, conheci o e-Cidadania, um portal criado para fomentar a participação cidadã. Vi nesta ferramenta a oportunidade de pautar o tema no Congresso Nacional.

 

A PROPOSTA DA CÂMARA
O projeto de lei do deputado Osmar Terra (PMDB-RS) altera a Lei Antidrogas, incentiva a internação de usuários e amplia pena de traficantes; a ideia é criticada por apoiar a criminalização dos usuários

 

Terra – Sua proposta obteve mais de 20 mil apoios no portal e-Cidadania. Você ficou surpreso com a adesão popular?

 

André – Cadastrei a proposta no site do Senado em meados de dezembro de 2013. Demorou mais de 01 mês para que a proposta fosse publicada, mas a divulgação da campanha de coleta de assinaturas só começou mesmo no dia 05 de fevereiro. No primeiro dia houve 5 mil apoios. No segundo dia, mais 8 mil, totalizando 13 mil apoios. No terceiro dia, chegamos a 16 mil apoios. E no quarto dia, um sábado, concluímos a campanha com mais de 20 mil apoios. Fiquei um pouco surpreso, sim, com a rapidez com que aconteceu.

 

Terra – O senador Cristovam Buarque afirmou que o tema deve em breve entrar na pauta do Senado. Qual é sua expectativa?

 

André – Ano passado ficou interdito que não haveria oposição política ao PLC 37/2013, por causa das eleições de outubro de 2014. Para mim, inadmissível que senadores se abstivessem de reformar a Lei de Drogas do Brasil sob o argumento do efeito negativo que o tema poderia causar nas urnas. Quem sabe a chegada desta proposta sirva como contrapeso para as futuras decisões sobre o PLC 37/2013, e revolucione a forma como políticos legislam sobre drogas no Brasil? Esta semana, durante seu primeiro pronunciamento sobre o tema, no plenário, o senador Cristovam Buarque enfatizou a importância da proposta ter chegado ao Congresso através de uma ação de iniciativa popular. Ao dizer que o tema é muito relevante, o senador nos transmitiu esperança. Não temos certeza de nada, mas sabemos, ao menos, que o debate começou nas mãos de um verdadeiro educador, que sofreu perseguição política durante o regime militar, exilou-se na França, e que, agora, não deixará que o assunto seja boicotado, como sempre foi.

 

Terra – Cristovam também disse que quer ouvir líderes religiosos durante a discussão da proposta. Acredita que parlamentares ligados a igrejas podem dificultar a tramitação da proposta, caso vire um projeto de lei?

 

André – A verdadeira religião ensina a respeitar e conviver com as diferenças. Líderes religiosos compreenderão e apoiarão a proposta.

 

A PROPOSTA DE ANDRÉ KIEPPER NO PORTAL E-CIDADANIA
Ideia Central: Regular o uso recreativo, medicinal e industrial da maconha.

Problema: O mercado não regulado da maconha gera violência, crimes e corrupção. O usuário é penalizado e milhares de jovens estão presos por tráfico.

Exposição: A maconha deve ser regularizada como as bebidas alcoólicas e cigarros. A lei deve permitir o cultivo caseiro, o registro de clubes de auto cultivadores,licenciamento de estabelecimentos de cultivo e de venda de maconha no atacado e no varejo e,regularizar o uso medicinal.

 

Terra – O Brasil é um país grande e diverso, composto por regiões que muito diferem entre si em termos culturais, sociais e políticos. Essa pluralidade não pode ser um empecilho à sua proposta?

 

André – A pluralidade ou grandeza de uma país não traz nenhum empecilho para um modelo de regulação. A grande mudança será a de que, ao se estabelecer as regras de produção, industrialização, comercialização e uso da maconha, ou seja, de todas as atividades econômicas envolvidas nesta relação de consumo, o mercado ilegal, que não oferece garantias de qualidade e segurança ao usuário, perderá espaço. A regulação reposicionará um bem de consumo que está, até então, sob o poder de facções criminosas, e o colocará sob poder do Estado. Eu compartilho com a visão do presidente do Uruguai, o Mujica, de que com uma regulação responsável os índices de violência e criminalidade no Brasil melhorarão.

 

Percebo que a oposição está, na verdade, entre aqueles que já estão bem esclarecidos sobre o tema, e os que ainda não aprenderam quase nada sobre ele

Terra – Na sua opinião, quais são os principais grupos que apoiam e quais os principais grupos que se opõem à legalização da maconha?

 

André – Não diria que haja uma dicotomia bem estabelecida entres grupos ou segmentos sociais, pró e contra a regulação. Percebo que a oposição está, na verdade, entre aqueles que já estão bem esclarecidos sobre o tema, e os que ainda não aprenderam quase nada sobre ele.

 

Terra – Uruguai, Holanda e alguns Estados americanos legalizaram a droga. Algum destes casos pode ser de modelo ao Brasil, ou temos que adotar um novo formato de legalização?

 

André – A proposta apresentada ao Senado é a de um modelo híbrido, baseado nas leis do Uruguai, Colorado e Washington, que prevêem o cultivo caseiro, a criação de clubes de autocultivadores e o licenciamento de estabelecimentos, registrados e fiscalizados pelo Estado, de cultivo, manufatura e venda, no atacado e no varejo. Neste modelo de regulação há diversas regras. Qualquer tipo de propaganda ou publicidade é proibida. A quantidade de licenças de funcionamento que uma pessoa jurídica pode receber é limitada a pouco mais de 03, como forma de controle de mercado. E há também restrições sobre a quantidade de maconha que uma pessoa pode adquirir, por operação, ou portar consigo. O Colorado, por exemplo, proíbe o uso em locais públicos. Já o Uruguai permite. No Brasil, já há leis de regulação de bebidas alcoólicas, cigarros e medicamentos, promulgadas no final da década de 90, que foram depois aperfeiçoadas no sentido de criar restrições quanto à propaganda e ao uso. A ideia proposta ao Senado Federal é que a maconha receba o mesmo tratamento, inspirado nestes modelos, já bem estabelecidos, de regulação do álcool, do cigarro e dos medicamentos, considerando as características peculiares de produção, industrialização, comercialização e uso da erva.

 

A ideia proposta ao Senado Federal é que a maconha receba o mesmo tratamento, inspirado nestes modelos, já bem estabelecidos, de regulação do álcool, do cigarro e dos medicamentos, considerando as características peculiares de produção, industrialização, comercialização e uso da erva

 

Terra – Se possível, fale de sua relação com a maconha. Você é ou já foi usuário? Teve, tem ou planejaria ter, em caso de aprovação da lei, plantação da droga?

 

André – Neste momento, meu interesse de pesquisa é o uso medicinal, que já está muito bem estabelecido, tanto na América do Norte, quanto em diversos países da Europa, mais notadamente em Israel, onde o uso se dá inclusive por idosos que sofrem das mais diversas doenças crônicas e degenerativas. Em alguns estados norte-americanos, o uso medicinal já está aprovado, também, para crianças com câncer, epilepsia ou convulsão, cujos pais administram aos filhos, via oral, diariamente, gotas do óleo extraído das flores. Segundo Lester Grinspoon, professor de psiquiatria de Harvard, a maconha é mais comumente, mas não exclusivamente, usada no tratamento de náuseas e vômitos severos da quimioterapia do câncer, glaucoma, epilepsia, esclerose múltipla, dor e espasmo de paraplegia e tetraplegia, HIV/AIDS, dor crônica, enxaqueca, doenças reumáticas, síndrome pré-menstrual, cólicas menstruais, dores do parto, colite ulcerativa, doença de Crohn, dor do membro fantasma, depressão e hiperemese gravídica.

 

A exposição do usuário de maconha a outras drogas, ao comprar no mercado ilegal, aumenta a sua probabilidade de comprar e usar outras drogas ilícitas. Com isso se conclui que a verdadeiraporta de entrada é o mercado ilegal, não regulado

 

Terra – Um dos principais argumentos contra movimentos de legalização da maconha é o entendimento de que ela abre portas para outras drogas. O que você diz para os críticos que se baseiam neste ponto de vista?

 

André – Não existe nenhum estudo que comprove esta teoria. De acordo com a Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, a maioria dos consumidores de drogas começa pelo álcool e pela nicotina, e não pela maconha. A maconha pode ser a primeira droga ilícita a ser consumida por ser a mais fácil de encontrar. A exposição do usuário de maconha a outras drogas, ao comprar no mercado ilegal, aumenta a sua probabilidade de comprar e usar outras drogas ilícitas. Com isso se conclui que a verdadeira porta de entrada é o mercado ilegal, não regulado.

 

A regulação reposicionará um bem de consumo que está, até então, sob o poder de facções criminosas, e o colocará sob poder do Estado. Eu compartilho com a visão do presidente do Uruguai, o Mujica, de que com uma regulação responsável os índices de violência e criminalidade no Brasil melhorarão

 

Terra 

 

Conheça a Experiência com drogadição da Ratolândia

Ratolândia (Rat Park)

Ratolândia (Rat Park)

Ratolândia (Rat Park)

Ratolândia (Rat Park)

Ratolândia (Rat Park)

Ratolândia (Rat Park)

Ratolândia (Rat Park)

Ratolândia (Rat Park)

Ratolândia (Rat Park)

Ratolândia (Rat Park)

Ratolândia (Rat Park)

Ratolândia (Rat Park)

Ratolândia (Rat Park)

Por Cauê Seignermartin Ameni

Ao estampar em sua capa, na última quinta-feira (16/1), a imagem de uma paciente do novo programa para usuários de drogas de S.Paulo fumando crack após o trabalho, a Folha de S.Paulo praticou um atentado à privacidade da pessoa em tratamento médico,desencadeando crise de choro e revolta. E foi além. Na tentativa de “demonstrar” umatese conservadora (a de que as terapias humanizadas são ineficazes para dependentes de drogas), ele ignorou um experimento científico realizado há mais de trinta anos. Já no final da década de 1970, o psicólogo canadense Bruce Alexander demonstrou que a socialização é, claramente, o melhor caminho (se não o único) para enfrentar adependência química. Sua pesquisa, que passou a influenciar profissionais de saúde em todo o mundo, está descrita até em formato de quadrinhos – inclusive traduzidos para o português (veja-os ao fim deste post). O fato de prevalecer até hoje, entre os velhosjornais brasileiros, a velha crença em métodos de punição e encarceramento só demonstra o atraso destas publicações.

Alexander, que trabalhava na Universidade Simon Fraser, questionou o pensamento predominante em sua época, segundo o qual as substâncias psicoativas produziam dependência, por sua natureza – e por isso deveriam ser proibidas. Para tanto, precisou enfrentar um problema. Em favor da crença comumente aceita, havia dezenas de experimentos “científicos”, geralmente realizados com ratos, e sempre com resultados semelhantes. “Demonstravam” que, uma vez em contato com drogas, os animais tornavam-se incapazes de viver sem elas.

 

O psicólogo canadense observou, porém, que talvez a causa destes resultadosrecorrentes não estivesse na correção da hipótese que eles supostamente “comprovavam” — mas num erro metodológico comum a todos os experimentos. Em todo os casos, os ratos testados eram confinados em gaiolas. Tinham um canudo implantado cirurgicamente no sistema circulatório. Eram treinados a movimentar uma alavanca e receber, diretamente no sangue, doses de morfina, heroína ou cocaína. Ao final de algum tempo, preferiam a droga aos alimentos ou à própria água, sendo levados à morte. “Concluía-se cientificamente” que as substâncias eram nocivas e altamente perigosas, e deveriam ser proibidas para humanos. As pesquisas foram um poderoso reforço ao proibicionismo e, mais tarde, à chamada “Guerra contra drogas”, em curso até hoje.

Bruce Alexander resolveu testar outra hipótese. Ao invés confinar os ratos em gaiolas minúsculas e solitárias, construiu para eles um parque 200 vezes maior com túneis, perfumes, cores. Mais importante, colocou outros ratos para interação. A experiência ficara conhecida como Rat Park – algo como Ratolândia em português. Para completar a “festa”, os roedores tinham acesso a duas fontes jorrando, incessantemente, água e morfina. Nestas novas condições, que reproduzem muito melhor a vida real, os resultados foram impressionantes. Percebeu-se, entre outros fatos, que os ratos livres consumiam 19 vezes menos psicoativos que seus iguais enjaulados.

Hoje, com avanço da ciência, há um maior entendimento sobre o funcionamento químico cerebral. O jornalista Denis Russo Burgierman, autor do livro O Fim da Guerra,explica como se dá essa relação: ”O centro da questão é um químico chamado dopamina, o principal neurotransmissor do nosso sistema de recompensa. Quando animais sociais ficam isolados e sem estímulos, seus cérebros secam de dopamina. Resultado: um apetite enorme e insaciável pela substância. Drogas – todas elas – têm o poder de aumentar os níveis de dopamina no cérebro, aliviando essa fissura. O nome disso é dependência. Ou seja, não é a droga que causa dependência – é a combinação da droga com uma predisposição. E o único jeito de curar dependência é curar essa predisposição: dando a esse sujeito uma vida melhor, como Bruce Alexander fez com os ratinhos do Rat Park.”

O paralelo com a situação brasileira é evidente. As políticas tradicionais tratam o usuário de drogas como pária a ser afastado do convívio social. Esta posição é radicalizada por autoridades e profissionais de saúde mais conservadores — para quem é preciso internar de forma compulsória os dependentes. Em contrapartida, a nova atitude adotada em São Paulo oferece a eles alojamento digno e ocupação e volta ao convívio social.

Por que são tão fortes e persistentes as teorias retrógradas, mesmo quando descoladas totalmente da realidade? O neurocientista Carl Hart, professor neurocientista da Columbia University, entrevistado recentemente pela New York Times respondeu a essa questão: “Oitenta a 90 por cento das pessoas não são afetadas negativamente pelo uso de drogas, mas, na literatura científica, quase 100 por cento dos relatórios são negativos. Há um foco distorcido em patologia. Nós, os cientistas, sabemos que teremos mais dinheiro, se continuarmos dizendo ao governo que vamos resolver este terrível problema. Temos um papel desonroso na guerra contra as drogas”. Bruce Alexnder e Carl Hart são duas incômodas exceções. Enquanto ao resto, a industria farmacêutica e bélica agradecem o proibicionismo.

saiba mais sobre essa experiência aqui

Via: http://outraspalavras.net/

Confira o pronunciamento do Senador Cristovam Buarque sobre projeto de regulação da maconha

fonte:  http://smkbd.com/

Em uma sessão plenária no Senado Federal (17/02), o senador Cristovam Buarque falou da importância de um maior debate sobre o projeto de iniciativa popular, em qual foi escolhido como relator, que visa a regulação da maconha no Brasil e afirmou que é preciso maior debate sobre projeto que regulamentará uso da maconha

“Temos muitas questões a analisar, só não temos direito de dizer que isso é irrelevante”
Senador Cristovam Buarque

A legalização do cultivo caseiro, do comércio em estabelecimentos licenciados e do consumo da maconha começa a ser discutida pela Comissão de Direitos Humanos do Senado. E o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) que será relator da sugestão, assinada por mais de 20 mil pessoas que querem a descriminalização do uso da cannabis sativa, promete um amplo debate.

Para dar o seu parecer sobre a questão, Cristovam afirmou que quer antes ver esclarecidas algumas dúvidas. Ele quer saber, por exemplo, se a legalização poderá reduzir o problema da violência, se a droga tem benefícios medicinais e se a descriminalização pode aumentar o consumo. Outra dúvida de Cristovam se refere ao impacto disso sobre o nível de educação das pessoas e sobre os valores da população.

” – Vou tomar a minha posição no momento certo. Depois de um longo debate com cientistas, com usuários, na medidaque seja possível isso, com líderes religiosos, filósofos, antropólogos, políticos. Vamos ver o que aconteceu nos países que tomaram essa decisão, como na Europa, algumas cidades americanas, e recentemente no Uruguai. Vamos analisar para que no fim esse assunto que é relevante seja também enfrentado.”

O senador afirma que não fugirá do debate, por se tratar de um tema de grande relevância, que atinge a todos osgraus da sociedade. Vamos contribuir com o debate enviando estudos e informações sobre as seguintes questões:

1. A regulação do uso e da produção da maconha aumenta, diminui ou mantém a violência?

2. Se a maconha traz ou não benefícios medicinais e quais os impactos medicinais que seu papel teria sobre osavanços científicos?

3. A legalização aumenta, diminui ou é neutra em relação ao consumo?

4. A maconha é ou não a porta de entrada para outras drogas?

5. Impacto sobre o nível de educação da população? Isso trará algum prejuízo ou vantagem no processo educacional dos nossos jovens?

6. Qual o impacto de uma decisão como essa sobre os costumes e valores morais da sociedade brasileira?

Siga o Conselho dos Advogados Contra o Proibicionismo!

Responda às perguntas do senador objetivamente e evite opiniões meramente pessoais. É importante saber o que se está falando para não titubear ou perder a paciência com possíveis proibicionistas que responderão normalmente com ‘achismos’. Lembre! Você vive em uma democracia e você estará um passo a frente se tiver o conhecimento ao seu lado. ESTUDE!

E se você ainda tem alguma dúvida sobre o que responder nos questionamentos, sugerimos ler a(s) pergunta(s) a ser(em) respondida(s), de acordo com sua opção, e depois dê uma navegada pelo Smoke Buddies e pelos principais meios informativos antiproibicionistas. A maioria das respostas estão aqui e, óbvio, em outros grupos, meios e coletivos sérios ligados à causa.

Se quiser ler um pouco mais, a sugestão do ACP é a leitura dos documentos “RESPONDENDO AOS MITOS”elaborados pela Rede Pense Livre, disponíveis nos links abaixo. Grande parte das respostas estão lá, com embasamento fático e científico:

Contatos do Senador Cristovam Buarque (Relator):
E-mail: cristovam@senador.leg.br
Telefone: (61) 3303-2281 / Fax: (61) 3303-2874
Endereço parlamentar: Ala Teotônio Vilela, Gab. 10

Contatos dos assessores do senador:

  • Regina Célia Simplicio – Chefe de Gabinete: regina.simplicio@senado.gov.br
  • Olimpia – Sub-Chefe de Gabinete e cuida da CDH: jimenez@senado.gov.br
  • Maristela Seichas Dourado – Assessoria de Emenda: mdourado@senado.gov.br
  • José Carlos de Matos – Consultor Jurídico/advogado: jcarlos@senado.gov.br
  • Paulo Miranda – Assessor de imprensa: pmiranda@senado.gov.br

Redes Sociais

  • Twitter: @Sen_Cristovam
  • Facebook: fb.com/cristovam.buarque

Com informações Tv Senado e Advogados Contra o Proibicionismo

Legalização da maconha ganha impulso no mundo

17 de fevereiro de 2014 às 11:21.

Via: O Globo.

Decisões de Uruguai e alguns estados americanos esquentam o debate das Américas à Europa. Obama disse recentemente que considera a maconha menos perigosa do que o álcool

Ativistas pela legalização da maconha em Montevidéu Uruguai Legalização da maconha ganha impulso no mundo

Ativistas pela legalização da maconha em Montevidéu, Uruguai – Foto: Matilde Campodonico

Em uma antiga mansão colonial na Jamaica, políticos analisam leis com menos restrições sobre o uso da maconha na terra de Bob Marley. No Marrocos, um dos maiores produtores de haxixe do mundo, dois importantes partidos políticos pensam em legalizar o cultivo da planta, pelo menos para fins médico e industrial. Na Argentina, o chefe da agência que combate o tráfico de drogas, um padre católico que serviu muito tempo em bairros pobres, onde as drogas causam grandes estragos, pediu um debate público sobre a regulamentação da maconha.

Das Américas à Europa, ao Norte da África e além, a legalização da maconha vem sendo discutida. Principalmente depois que o Uruguai fez História como o primeiro país a legalizar a cannabis, em dezembro, seguido pelos estados de Colorado e Washington, nos Estados Unidos.

Cansados da violência associada ao tráfico de drogas e da ineficácia de práticas repressivas, os políticos estão animados com o incentivo, em sua maioria nos Estados Unidos, apesar da oposição dos conservadores. Alguns estão dispostos a testar políticas baseadas na saúde pública e não insistir na proibição, e há aqueles que vislumbram um setor potencialmente lucrativo na regulação da cannabis.

– Vários países estão dizendo “isso nos desperta curiosidade, mas não acredito que podemos seguir esse caminho” – disse Sam Kamin, professor de Direito da Universidade de Denver, que ajudou a elaborar os regulamentos sobre a maconha no Colorado. – Aos Estados Unidos vai custar dizer “não podem legalizar, não podem descriminalizar”, porque isso está acontecendo aqui.

Os Estados Unidos, que muitas vezes condicionam a assistência a outros países para o progresso na luta contra o narcotráfico, estão sendo mais abertos a outras alternativas para essa luta.

O próprio presidente dos EUA, Barack Obama, disse recentemente à revista “The New Yorker“ que considera a maconha menos perigosa do que o álcool, e que é importante que sigam adiante com os experimentos com a legalização dos estados de Washington e Colorado, especialmente porque os negros são presos em maior proporção do que os brancos, mesmo que o nível de consumo seja semelhante.

Seu governo criticou as taxas de prisão por delitos relacionados com as drogas nos Estados Unidos e obrigou bancos a aceitarem o dinheiro de lojas quem vendem a maconha.

Estas medidas refletem o quanto mudou a posição do governo dos EUA nos últimos anos. Em 2009, o Departamento de Justiça disse que não iria perseguir as pessoas que usavam a maconha para fins medicinais. Em agosto, a agência disse que não iria mais interferir nas leis do Colorado e de Washington que regulam o cultivo e a venda de maconha para uso recreativo, mediante ao pagamento de impostos.

Funcionários do governo e ativistas de todo o mundo estão de olho e não deixam passar despercebido o silêncio do governo dos EUA diante as mudanças nesses dois estados e no Uruguai.

Existe “um sentimento de que os EUA não estão mais tão obcecados com a guerra contra as drogas como no passado” e que outras nações têm espaço de manobra para explorar outras alternativas, segundo Ethan Nadelmann, diretor da organização sem fins lucrativos “Drug Policy Alliance”, com sede em Nova York.

O medo de retaliação dos EUA frustrou as reformas na Jamaica, incluindo uma campanha em 2001 para aprovar o consumo privado de maconha por adultos. Mas “as coisas mudaram”, expressou Delano Seiveright, diretor da “Ganja Law Redorm Coalition-Jamaica”.

No ano passado, um comitê legislativo jamaicano se reuniu com organizações a favor do consumo de maconha, em um hotel em Kingston, e discutiram os próximos passos, incluindo uma iniciativa de curto prazo para descriminalizar o porte de drogas.

Políticos influentes estão cada vez mais receptivos à ideia de limitar as restrições sobre o consumo da maconha. O ministro da Saúde disse que estava “totalmente a favor” de seu uso para fins medicinais.

Incentivados pelos experimentos do Uruguai, Washington e Colorado, legisladores de Marrocos aumentam a pressão para permitir o uso da maconha para fins médicos e industriais. Eles dizem que isso iria ajudar os pequenos agricultores, que vivem de seu cultivo, mas são obrigados a vender a planta para traficantes de drogas, sempre expostos às campanhas de erradicação.

Em outubro, legisladores do Uruguai, México e Canadá se reuniram no Colorado para ver de perto como o estado está tratando o tema. Eles visitaram um dispensário de maconha para fins medicinais e cheiraram plantas de maconha com códigos de barras, enquanto o proprietário do local acompanhava a visita.

– No México, existem espaços como este, mas patrocinados por homens armados – disse o legislador mexicano René Fujiwara Montelongo.

Não há pressão generalizada para que se legalize a maconha no México, onde dezenas de milhares de pessoas morreram em decorrência da violência do narcotráfico. Mas na Cidade do México, que é mais liberal, a ideia é suavizar ainda mais as leis, aumentando a quantidade de maconha que uma pessoa pode ter em sua posse para uso pessoal, permitindo que seja possível cultivar até três plantas e que os consumidores possam frequentar clubes para fumantes.

Os opositores, porém, temem que a legalização aumente o uso de drogas entre os jovens.

Vinte estados dos EUA permitem a maconha para fins medicinais e vários discutem a possibilidade de permitir o uso recreativo.

Alguns países europeus, como Espanha, Bélgica e República Tcheca liberaram as leis sobre a maconha, mas a Holanda, famosa por seus cafés onde é possível usar a droga, recuou e começou a fechar esses estabelecimentos que funcionam perto de escolas e proibir a venda da droga a turistas.

No entanto, existe uma campanha para legalizar o cultivo de cannabis. Lá, é legal vender maconha, mas como não é legal cultivá-la, esses locais precisam recorrer ao mercado negro.

Na América Latina e no Caribe, onde alguns países descriminalizaram a posse de pequenas quantidades de drogas, da maconha à cocaína, há uma grande oposição à legalização.

Presidentes em exercício e ex-presidentes da Colômbia, México, Guatemala e Brasil pedem uma revisão ou até mesmo o fim da guerra contra o narcotráfico. O padre católico Juan Carlos Molina, que lidera a luta contra o tráfico de drogas na Argentina, diz que está seguindo a ordem da presidente Cristina Kirchner de mudar o foco e se concentrar no tratamento e não na repressão. Argentina também disse que está pronta para discutir abertamente sobre a possibilidade de legalização da maconha.

– Acredito que a Argentina mereça uma boa discussão sobre este tema. Nós somos capazes de fazê-lo. É uma questão fundamental para o país – disse Molina em entrevista à Rádio del Plata.